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Juros de crédito para pessoas físicas caem 10 pontos percentuais em 12 meses

18 de abril de 2018

Operações para pessoas jurídicas também registram queda nas taxas cobradas, mostra Boletim Credito do Ceper /Fundace

A trajetória de queda na taxa média de juros iniciada no fim de 2016 teve continuidade ao longo de 2017, com um ligeiro aumento em janeiro deste ano. É o que mostra o Boletim Crédito do Ceper/Fundace, feito a partir dos dados divulgados pelo Banco Central do Brasil.

Os juros cobrados das pessoas físicas atingiram 32,31% e, para pessoas jurídicas, a taxa registrada foi de 17,63% no primeiro mês de 2018. No total, a taxa média de juros fechou janeiro em 26,24%. Na comparação em 12 meses, a baixa é significativa, principalmente para pessoas físicas. A queda nos juros cobrados para esse grupo foi de quase 10 pontos percentuais (p. p.) e. para pessoas jurídicas, de 3.55 p. p.

O levantamento mostra que os spreads – diferença entre as taxas de captação e aplicação das operações de crédito – também apresentaram trajetória de queda ao longo do ano de 2017, com uma ligeira reversão no início deste ano. Em janeiro de 2018, o spread médio foi de 19,71%. Para pessoas jurídicas, foi de 10,86%, e para pessoas físicas, de 25,95%.

O saldo de crédito para pessoas físicas se manteve estável em relação aos meses anteriores, em R$ 1,66 trilhões. Já o saldo para pessoas jurídicas registrou queda, baixando de R$ 1,45 trilhões, em dezembro de 2017 para R$ 1,41 trilhões, em janeiro deste ano.

Os dados de operações de crédito, empréstimos e títulos descontados, financiamentos em geral, financiamentos imobiliários e financiamentos ao agronegócio evidenciam queda em todas as modalidades no País. O setor de financiamentos em geral foi o que apresentou a maior baixa: de 16,4%. A retração foi menor na modalidade de financiamentos imobiliários: de 5,3%.

No estado de São Paulo, o comportamento das operações de crédito seguiu a trajetória observada em nível nacional e também houve contração em todas as modalidades. No estado de São Paulo e no interior paulista, as maiores quedas foram registradas em financiamentos em geral de 14,8% e 26%, respectivamente.

Na Região Metropolitana de Ribeirão Preto (RARP), o destaque foi positivo na modalidade de financiamentos imobiliários, com um crescimento de 2%. Nas demais modalidades, ocorreram quedas, sendo a mais forte na modalidade de empréstimos e títulos descontados: -12,7%.

Dentre as cidades da região, Sertãozinho se destaca como o município com o melhor desempenho. Houve crescimento em duas modalidades: financiamentos imobiliários (1,9%) e agronegócios (14%). O agronegócio também foi destaque em Campinas, com crescimento de 4,4%.

Em Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Araraquara, verificou-se aumento do crédito para financiamentos imobiliários de 2,6%, 3,6% e 2,3%, respectivamente, na comparação com janeiro de 2017. O pior desempenho foi registrado em Franca, com retração em todas as modalidades, principalmente nas operações destinadas a financiamentos em geral (-61,4%).

Análise – Os dados deste boletim e de números anteriores têm mostrado que a retração do crédito, como reflexo dos efeitos da crise, foi sentida mais fortemente no segmento empresarial. O saldo de crédito destinado às pessoas jurídicas tem sofrido quedas sucessivas, alcançado patamares muito abaixo dos registrados no período pré-crise. “A queda nas taxas de juros ainda não surtiram efeitos relevantes na retomada de empréstimos e financiamentos. Esse cenário resulta em uma retomada dos investimentos que deve ocorrer a passos lentos ao longo de 2018”, aponta o pesquisador do Ceper e coordenador do Boletim Crédito, Luciano Nakabashi.

Por outro lado, segundo ele, há um pouco mais de otimismo por parte das pessoas físicas, visto que o estoque de crédito para este público tem se mantido estável nos últimos meses. “A queda no endividamento das famílias e na inadimplência, como observado em boletins anteriores, além da queda no desemprego, da inflação e o aumento na massa salarial real dão maior estabilidade ao mercado de trabalho, reduzindo o risco de empréstimo dos bancos e das demais instituições financeiras. Além disso, a queda na taxa de juros torna o crédito mais barato”, avalia Nakabashi.

“A recuperação nas operações de crédito para pessoas físicas irá gerar condições para o crescimento do consumo. A recuperação dos investimentos por parte das empresas deve seguir como consequência, mas de forma mais lenta e posterior à recuperação do consumo, dada a grande capacidade ociosa existente e ao cenário macroeconômico ainda incerto”, conclui o pesquisador.

Fonte: www.guiasweb.com.br/noticia_19083-juros_de_credito_para_pessoas_fisicas_caem_10_pontos_percentuais_em_12_meses.htm

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