Como elaborar o Planejamento Estratégico de Empresas?

Uma das maiores questões discutidas atualmente dentro das organizações é a mudança organizacional.

Com tantas modificações no cenário mundial, principalmente desde o final do século XX, as organizações e os gestores passaram a conviver com novos modelos de negócios, novos tipos de clientes e necessitam de novas formas de elaborar o seu planejamento estratégico.

Estamos na era VUCA! Temos que ficar atentos a esses quatro elementos: Volatility (Volatilidade), Uncertainty (Incerteza), Complexity (Complexidade) e Ambiguity (Ambiguidade).

A volatilidade faz com que haja necessidade de maior velocidade no desenvolvimento de produtos, bem como na absorção de novos conhecimentos. Isso faz com que as empresas necessitem de agilidade também na reconfiguração de seus negócios e na maneira de fazer a sua gestão.

Empresas que esperavam até o último momento para substituir modelos ultrapassados, tanto de tecnologias como de gestão, perdem cada vez mais rápido seu mercado e sua sobrevivência está cada vez mais comprometida.

Soma-se, também, os outros três elementos – incerteza, complexidade e ambiguidade, ainda mais em tempos de reestruturação da humanidade para conviver com os efeitos da pandemia do novo coronavírus.

As empresas precisam reavaliar o modelo empresarial utilizado

Será que vender muito e ter bons lucros é o modelo ideal para a geração de valor de uma empresa?

Nem sempre esse modelo garante a sustentabilidade da empresa no longo prazo. As empresas precisam estar atentas ao que pode comprometer o seu modelo atual de negócios, que nem sempre se refere apenas a variáveis tangíveis, ou simplesmente a ganhos financeiros.

Modelos mentais anteriormente enraizados nas empresas podem não mais ser efetivos para avaliar e solucionar seus problemas de gestão. Mas, será que existe apenas um caminho ou uma única melhor solução para cada problema ou oportunidade?

O gestor de hoje deve conseguir medir até que ponto esses modelos mentais previamente estabelecidos o ajudam ou o atrapalham. Buscar novas ideias e saber aprender a esquecer são armas importantes que o gestor atual deve utilizar no seu dia-a-dia, quando percebe que velhas soluções não resolvem novos problemas.

Porém, sair da zona de conforto exige conhecimento, habilidades e atitudes – CHA. O CHA é a fórmula para a COMPETÊNCIA e pode criar a ruptura de velhos costumes, abrindo horizontes para novos modelos de produção, gestão, negócios e mesmo para a aprendizagem organizacional.

Para se buscar as melhores práticas muitas vezes é necessário desaprender algumas outras, ou miscigená-las, tirando o maior proveito de cada uma, ou da própria sinergia resultante desse somatório.

Outras vezes é melhor esquecer mesmo a anterior e “quebrar um paradigma” que não é mais aceito como modelo para a explicação ou solução de algum problema.

Fazendo um planejamento estratégico

Para se fazer o Planejamento Estratégico de um empresa, são necessários oito passos básicos. A seguir, são apresentados os principais elementos desses passos.

Análise do Negócio

Qual é o nosso “negócio”? Devem ser sinalizadas as principais atividades desenvolvidas pela empresa. É muito importante estabelecer limites da sua atuação: nem muito amplos, nem muito estreitos.

Definir as atividades mais íntimas – core business (ou negócio central): estas devem receber mais atenção e não devem ser terceirizadas. Em uma visão míope, a empresa define o seu “negócio” como sendo aquilo que ela produz (para bens) ou entrega (para serviços), ou seja, apenas focaliza o seu “produto”.

Mas, na visão estratégica, a empresa define o seu “negócio” pelos BENEFÍCIOS que oferece aos clientes!

Análise do Ambiente Externo

Nessa etapa é iniciado o diagnóstico, extremamente fundamental para se ter as bases para definir os rumos que serão dados à empresa.

Devem ser avaliados o macroambiente – comum a todas as organizações, composto por fatores (P) Políticos-Legais, (E) Econômicos, (S) Sociais e (T) Tecnológicos, a partir da “Análise PEST”.

A avaliação do macroambiente deve ser somada a avaliação do Ambiente Setorial – específico do setor de negócios que a empresa pertence: consumidores, fornecedores, concorrentes e agências regulamentadoras.

Análise do Ambiente Interno

Identifica os pontos fortes e fracos da própria empresa. Verifica como estão as principais áreas funcionais da empresa: Marketing, Finanças, Operações, Produção, Pessoas e outras.

É importante que se tenha um panorama das habilidades e recursos da empresa, a partir da avaliação dos níveis de desempenho gerais e funcionais e da Análise do Ciclo de Vida do Setor ou de Famílias de Produtos.

Pode-se usar o benchmarking, por exemplo, para comparação da empresa com outras semelhantes.

Planejamento Estratégico: Análise S.W.O.T.

Nessa etapa devem ser identificadas as (S) Strengths: forças, (W) Weaknesses: fraquezas – relacionadas ao Ambiente Interno, e as (O) Opportunities: oportunidades e (T) Threats: ameaças – relacionadas ao Ambiente Externo, iniciais que denominam a “Análise S.W.O.T.”.

Em seguida, deve ser criada a “Matriz S.W.O.T.”, onde são criadas estratégias gerais utilizando o cruzamento das forças e fraquezas (SW) com oportunidades e ameaças (OT), criando estratégias SO, ST, WO e WT.

Os principais objetivos da Análise S.W.O.T. são: tirar vantagem de determinadas oportunidades do ambiente; evitar ou minimizar as ameaças ambientais; enfatizar seus pontos fortes; moderar o impacto de seus pontos fracos; e alcançar vantagem competitiva.

Definição de Missão, Visão, Valores e Objetivos da Empresa

A partir do diagnóstico e da Análise S.W.O.T. é possível definir a Missão (o porquê da existência da empresa), Visão (onde a empresa quer chegar), Valores (no que ela acredita e norteia suas ações) e Objetivos da Empresa (situação que ela pretende alcançar, lembrando que devem ser dinâmicos e estar em constante evolução).

Definição das Estratégias

Decisões para se atingir os objetivos estratégicos. Sua formulação deverá ser feita com base nas análises do ambiente externo e interno (Análise S.W.O.T.).

As Estratégias se subdividem em: Estratégias Empresariais (da empresa como um todo), Estratégias de Negócio (específicas para as unidades de negócio) e Estratégias Funcionais (relacionadas às áreas funcionais).

Implementação das Estratégias

Momento de colocar os planos em ação!

Deve ser a ponte entre a decisão e a execução e pode exigir alterações internas na empresa: mudança na estrutura organizacional, no sistema de informações, nas tecnologias de produção, na aquisição e no uso dos recursos.

Planejamento Estratégico: Controle Estratégico

É a hora de verificar se as estratégias organizacionais são eficazes para atingir seus objetivos. Principal barreira: falta de sistemas de medição de desempenho adequados às estratégias.

Nessa etapa, devem ser definidos e utilizados indicadores, para se ter informações sobre as medidas relacionadas a um produto, um processo, um sistema ou uma grandeza ao longo de um tempo determinado. Pode-se usar o Balanced Scorecard para gerenciar a estratégia.

A partir do processo de Planejamento Estratégico, a empresa precisa fazer uma Administração Estratégica, onde todos os elementos indicados e implantados no planejamento devem ser acompanhados, em um processo de mudança e de melhoria contínua.

Aí entram as quebras de paradigmas, modificando os modelos mentais previamente estabelecidos e a empresa precisa sair de sua zona de conforto! E essa sim, é mudança necessária que muitas empresas não conseguem absorver!

Texto escrito por Profa. Dra. Sonia Valle W. Borges de Oliveira.

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