Açúcar, Produto Exportação

Segundo o Boletim Comércio Exterior do Ceper/Fundace(Centro de Pesquisa em Economia Regional/Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia) o açúcar continua sendo o principal produto exportado pela região metropolitana de Ribeirão Preto. A exportação do produto apresentou um crescimento de 2,9% em 2017 quando comparada com 2016.

Outros produtos como amendoim e soja também reforçam a pauta de exportação da região. O amendoim teve um crescimento de 71,7% nas exportações de 2017 em relação às de 2016. Já a soja teve um aumento do valor exportado, passando de US$ 960 mil em 2016 para US$ 20 milhões no ano passado, decorrente de efeito meramente contábil.
O aumento da exportação de carne bovina foi o destaque de Sertãozinho, com 96% de acréscimo. E mesmo com uma redução de 8% na exportação, o açúcar continua sendo o principal produto da pauta exportadora do município.

Sendo destaque nas exportações das duas cidades, o açúcar conta com um determinante histórico para tal. “Com a decadência do café na região de Ribeirão Preto, a cana-de-açúcar foi a cultura que o substituiu. Hoje, a região é, sem dúvida, umas das principais produtoras de cana-de-açúcar, sendo que um dos seus subprodutos, o açúcar, tem como principal destino o mercado externo”, explica o pesquisador do Ceper e coordenador do Boletim Comércio Exterior, Luciano Nakabashi.

Ele conta que as exportações de açúcar da Região Metropolitana de Ribeirão Preto, em 2017, foram de US$ 822.775.834, enquanto as exportações do estado foram de US$ 7.489.565.383 e do país de US$ 11.411.926.873. “Isso representa cerca de 11% das exportações do estado e 7,2% das exportações do país. O destino do açúcar da região inclui países como China, Índia e Bangladesh”, enumera o pesquisador.

Nakabashi atenta para um pequeno aumento de exportação em relação a 2016, cujo valor representa US$ 799.363.911, algo semelhante com o que ocorreu no país (exportações em 2016 de US$ 10.665.702.039). O principal efeito disto foi uma elevação na quantidade física exportada, visto que o nível médio de preços em 2017 foi menor que o de 2016. “Nas duas últimas safras ocorreu um maior direcionamento da colheita de cana para a produção do açúcar devido ao processo de elevação de preços entre o final de 2015 e meados de 2017”, lembrou.

Por outro lado, a redução de açúcar exportado por Sertãozinho se deu justamente pela redução do preço, pois a quantidade não foi suficiente para compensar a queda no preço internacional do açúcar ocorrida recentemente.

Diferencial competitivo 
O diferencial competitivo para a exportação de açúcar da região, segundo Nakabashi, é o clima propício e a quantidade abundante de terra que temos no país, além de uma mecanização que está cada vez mais presente no campo e nas usinas. “De qualquer forma, o açúcar é uma commodity, ou seja, em termos de qualidade do produto, quase não existe diferencial. O Grupo Balbo vem investindo no açúcar orgânico, o que tende a ser um diferencial competitivo ao explorar um nicho de mercado que vem ganhando importância, mas que ainda representa uma parcela muito pequena do mercado total”, salienta.

O açúcar é um produto que tem relevância para as exportações em nível nacional e que possui um amplo mercado consumidor, sendo um produto importante para movimentar a economia regional. “No entanto, é preciso ter em mente que existe uma tendência de redução do consumo do açúcar em decorrência dos seus efeitos para a saúde quando o consumo é excessivo, o que já ocorre em vários países, sobretudo nos mais desenvolvidos”, observa Nakabashi.

Os preços do açúcar e do etanol tendem a variar bastante de acordo com a oferta e demanda mundial, o que é comum para qualquer commodity. Portanto, as economias municipais que dependem mais fortemente do setor sucroalcooleiro também tendem a experimentar maior variabilidade em seu desempenho econômico. “Dessa forma, considerando que o açúcar ainda terá uma importância por vários anos na região, seria importante pensar em alguma diversificação para redução dos efeitos dos ciclos de preços sobre a economia regional, sobretudo no que diz respeito à indústria de máquinas e equipamentos que é muito dependente do setor”, sinaliza o pesquisador.

Vale ressaltar que a região metropolitana de Ribeirão Preto tem condição de aumentar a quantidade exportada de açúcar, mas depende muito da oferta e demanda mundial pelo produto. “A demanda mundial cresce lentamente, sendo que a produção brasileira tem crescido mais rapidamente que a demanda interna ou externa. Como consequência, ao longo dos últimos anos, o país tem aumentando a sua parcela no mercado internacional, mas há um limite, que é o próprio crescimento da demanda mundial no longo prazo”, finaliza Nakabashi.

 

Fonte: www.copercana.com.br/noticias/acucar-produto-exportacao

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