Com 110 anos de história, conceito de MBA é ampliado para novas áreas e atrai profissionais recém-formados

Criado nos Estados Unidos, MBA no Brasil incorporou algumas modificações a partir da necessidade do mercado de trabalho; sigla também é utilizada para áreas que vão além da administração

Há 110 anos era criado o primeiro programa de MBA, na Universidade de Havard, na cidade de Cambridge, em Massachusetts, nos Estados Unidos. O ano era 1908 e a Universidade tinha poucos docentes, uma turma reduzida e sem mulheres – que só passaram a ser aceitas no novo programa de especialização em administração em 1962.

No Brasil, a modalidade “Master in Business Administration”, com as características como é conhecida atualmente é mais recente. As informações remontam a 1973, mas aqui no País esse tipo de curso começou a se tornar popular nos anos 90, em resposta a maior abertura econômica, aumento da competitividade e necessidade de aprimoramento da gestão das empresas.

Diferentemente de outros países, o MBA no Brasil sofreu algumas adaptações e a sigla é considerada pós-graduação lato sensu. Ela também foi incorporada ao nome de especializações comuns para diferentes áreas, com o enfoque em aprimoramento para o mercado de trabalho. Nos Estados Unidos, onde surgiram, os MBAs indicam uma pós-graduação específica para formação de executivos, equivalente a um mestrado de administração.

Com um mercado de trabalho que exige cada vez mais dos profissionais, somado ao desemprego e maior competitividade na disputa das vagas, a procura pela pós-graduação aumentou e acelerou a multiplicação de novos programas na modalidade MBA com foco em negócios e gestão, mas também para áreas diversas, como por exemplo, em comunicação e marketing, controladoria e finanças e recursos humanos.

Na avaliação do professor doutor Márcio Mattos Borges de Oliveira, coordenador do MBA em administração da Fundace/USP, os cursos de MBA no início eram basicamente procurados por profissionais com conhecimentos mais sólidos e experiência sênior em administração e gestão, com posições de liderança em suas carreiras.

“Inicialmente, a procura era mais acentuada por parte de diretores e gestores, já com bastante experiência prática. E as ofertas de MBA, no início, eram mais restritas a administração e negócios. Hoje em dia, com a popularização deste tipo de formação, muitas instituições têm adotado a sigla para áreas mais genéricas”, explica Borges de Oliveira.

Segundo o coordenador, ainda há demanda por profissionais com nível sênior, mas o interesse entre recém-formados aumentou consideravelmente nos tempos mais recentes. “Essa mudança é, em parte, conseqüência da mudança no mercado de trabalho, que está muito mais exigente e em busca de profissionais que se destaquem e possuam algum diferencial. A capacitação tornou-se algo imprescindível para quem busca melhores oportunidades em um cenário de economia que ainda está em fase de recuperação”, complementa. De acordo com o especialista, a idade média dos alunos reduziu de 37 para 32 anos.

Oliveira é crítico ao apelo imediatista de alguns MBA’s que focam apenas na prática e colocam de forma simplista conceitos que necessitam de embasamento teórico e experiência. “Tem aluno que busca o MBA como se fosse a receita de um bolo e, algumas vezes, tornam-se muito passivos em relação ao conhecimento transmitido, não aproveitando tudo que a pós pode oferecer. Esquecem que serão remunerados também a partir do diferencial que demonstrarem”, pontua.

As melhores escolas – Vários rankings avaliam o desempenho das melhores escolas de negócios do Brasil. Um dos mais conhecidos é o THE (Times Higher Education World University Rankings). Nele, a USP (Universidade de São Paulo) é a única que aparece com posição fixa.

A Fundace (Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia), instituição sem fins lucrativos criada em 1995, é a responsável por operacionalizar os cursos de MBA’s oferecidos pela USP no câmpus de Ribeirão Preto.

Atualmente, estão abertas inscrições para sete cursos de pós-graduação classificados pelo MEC como lato sensu. As opções são nas áreas de Administração, Contabilidade, Controladoria e Finanças, Gestão de Projetos Inovadores, Gestão de Vendas, Gestão Estratégica de Pessoas e Organizações Sustentáveis, além de Marketing.

A seleção é feita através de análise curricular, entrevista e prova e as aulas são ministradas nas dependências da FEA-RP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto). Para saber mais sobre os cursos e o processo seletivo, acesse https://www.fundace.org.br/

Compartilhe

Deixe uma resposta